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DUAS SIAMESAS

ficção

O que está acontecendo hoje é uma peça.

Essa peça já aconteceu, acontece hoje, e acontecerá no futuro.

Eu sou o vidente que vai contar agora o que houve antes.

Não é uma peça. É uma travessia.

Se passa no Rio Xingu.

Os personagens são: duas irmãs siamesas.

Termina com a ponta do barquinho numa curva. E sumindo.

Desculpa, eu perdi.

Ele estava sendo visto por você, mas ele faz a curva e então ele some.

Mas, na realidade, é a cabeceira do Xingu, onde começava a Travessia. É bem a curva.

Mas pode ser também um lugar mais distante que o Xingu. Talvez o lugar onde a Travessia chega, e depois de terem sido separadas, cada uma das irmãs vem de um lado e se encontram aí.

Na realidade, Lu começou brigando porque queria sempre começar do lado que a Camila estava antes de começar a cena. Então, demorou muito pra elas chegarem a uma conclusão.

Mas Camila estava com o braço direito da Lu, esse braço tinha ficado com ela na separação,  e ela nunca conseguia ir pro outro lado, o direito. Elas tentaram usar o grampeador inclusive aí.

Na casinha, onde estava o coro, eram o quê? Vinte duas pessoas ali, esperando resolver a questão do braço. Eles ficaram ali muito tempo.

Tudo está em tudo.

Estar no mundo é estar em tudo.

Impossível se liberar do mundo em que se está imerso.

Impossível purificar o mundo dessa presença.

O grande lago que os brancos atravessaram é onde os espírito vão, e de onde vieram. Suas águas provem do mundo subterrâneo. Os forasteiros foram criados pela espuma desse lago, e foram vistos antes de chegar. Chegaram como visitantes, e desde que chegaram retalham a terra e repartem entre si.

Relativo sucesso profissional traz amigos duas vezes por ano pois mulher incapaz de dizer há muito tempo.


Caju, a mãe das siamesas, liga para Enrique o pai, que está em trânsito num trem, onde não tem sinal, mas ele atende, e informa justamente isso para ela enquanto falam. Ela não tá bem, mas tá muito bonita. Os telefones são maravilhosos. Maju está preocupada com as filhas. A natureza delas é assim, das filhas, ele diz. Olhando de fora, parece que é esquisito, mas vai resolvendo sozinho. Sozinho porque ele nunca está. Tá tudo bem, ele envelhece com saúde, elas estão com saúde, elas precisam resolver isso, e aceitar que é imaginário isso da siamesice delas, de ser duas.


Isso é um transatlântico com várias cabines, nesse momento, cada um está na sua cabine,  com um sistema de rádio altamente desenvolvido, onde a gente vê a carinha dos outros.

Na rua, quando a gente esbarra com alguém, a gente passa por cima de um desconhecido.

_ TEM UM RUÍDO DE FUNDO, COMO UMA RADIAÇÃO, CONSTANTE, QUE PARECE QUE É DO VÍDEO, E É, MAS É DESDE O BIG BANG ATÉ HOJE E ONTEM E AMANHÃ.


Tiago não sabe o que tem no quadro que está na parede dele, que ele achou no lixo, da esquina da maternidade; com um bebê no colo, uma senhora deixou o quadro lá.

Mas, na realidade, é a cabeceira do Xingu, onde começava a Travessia. É bem a curva.

Mas pode ser também um lugar mais distante que o Xingu. Talvez o lugar onde a Travessia chega, e depois de terem sido separadas, cada uma das irmãs vem de um lado e se encontram aí.

Na realidade, Lu começou brigando porque queria sempre começar do lado que a Camila estava antes de começar a cena. Então, demorou muito pra elas chegarem a uma conclusão.

Mas Camila estava com o braço direito da Lu, esse braço tinha ficado com ela na separação,  e ela nunca conseguia ir pro outro lado, o direito. Elas tentaram usar o grampeador inclusive aí.

Na casinha, onde estava o coro, eram o quê? Vinte duas pessoas ali, esperando resolver a questão do braço. Eles ficaram ali muito tempo.

Camila pediu desculpas, inclusive.

Carol teve que fazer xixi num baldinho, inclusive. É uma necessidade dela, e também um ritual de presença antes de entrar em cena.

Felipe ficou chateado, inclusive, porque o baldinho era dele.

Mas Carol fez o pedido à produção.

Enfim. Chato isso.

Música do início do dia que voltou - A música do início dessa travessia retorna e retorna e retorna